terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Reflexão com base no artigo “Educar na era digital: educações”

O artigo inicia-se como uma citação muito oportuna e relacionada com a temática em análise: “Conhecemos não para sermos donos. Mas para sermos mais companheiros das criaturas vivas e não vivas com quem partilhamos esse universo. Para escutarmos histórias que nos são, em todo o momento, contadas por essas criaturas.” (Mia Couto,2005)
Tendo em conta a comunicação entre todas as criaturas que partilham o universo, esta citação remete para o objetivo principal do artigo, que é o de apresentar uma panorâmica sobre o desenvolvimento científico e tecnológico de comunicação e das múltiplas linguagens que de uma forma articulada coexistem graças às tecnologias digitais. O autor começa por destacar os inúmeros e enormes desafios colocados pelo mundo contemporâneo, graças às profundas transformações no modo como produzimos conhecimento. A velocidade a que tudo se desloca, provocou modificações profundas na forma de pensar e de sentir.
Estamos perante a sociedade de informação ou do conhecimento. Neste contexto, o autor destaca o impacto causado pelo estabelecimento das redes de comunicação, as quais vieram dar um impulso enorme à produção colaborativa. Exemplifica, identificando programas internacionais que contam com a participação de investigadores a nível internacional, como é o caso do projecto Gonoma, o Projecto SETI@Home que liga perto de 4,5 milhões de pessoas em todo o mundo ou ainda, o aparecimento do programa LINUX, que deu origem ao movimento mundial do software livre, que foi ganhando um número cada vez maior de adeptos, provocando mudanças acentuadas ao nível da computação, da economia, da cultura e entre outros.

Para este autor, seguindo a linha do pensamento de outros investigadores por ele citados como por exemplo, Poster (2001), a internet e as restantes tecnologias digitais devem ser compensadas “para além de meras ferramentas auxiliares dos processos de produção de conhecimento e de educação” (Pretto,1996). A internet deve, nesta ordem de ideias, ser pensada como espaço social.
Esclarece o autor em causa que, do seu ponto de vista, todas as tecnologias digitais devem ser olhadas como “elementos que contribuem para uma radical transformação tanto da sociedade como da educação, sendo esse um dos grandes desafios de pesquisa no mundo contemporâneo” (Pretto, 2011, p.102) 
Neste âmbito o autor dá uma relevância particular às transformações ao nível da educação, termo que o autor admite preferir. Explica que este facto está relacionado com as diferentes linguagens ligadas às várias tecnologias disponíveis.

Apropriando-se destas de forma intensa, os jovens usam-nas construindo novas formas de expressão e de linguagens. O próprio ato de escrever alterou-se: o uso do dedo polegar para digitalizar mensagens; símbolos, ícones e imagens, fazem parte das novas linguagens, não como meras ilustrações dos textos escritos. Uma outra linguagem visual foi ocupando um lugar importante.     Esta juventude, na perspetiva do autor, escreve mais, produz mais e manifesta-se mais publicamente.
Conclui, neste contexto, que os jovens que usam a grande diversidade dos meios tecnológicos vão para além do mero consumo, já que eles estão “produzindo intensamente culturas e conhecimentos” (Pretto, 2011, p. 107).
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Luca Pretto, N.(2011). Educar na Era Digital. Revista Portuguesa de Educação, pp.95-118. Braga, Universidade do Minho




Refletindo com as palavras dos colegas...

O desafio colocado pelo professor era refletir sobre as principais tendências evolutivas das sociedades contemporâneas. Que educação para o século XXI?
As leituras feitas, resultado de pesquisas individuais e de outras de referência apresentadas pelo professor permitiram várias intervenções.  Da leitura destas é possível destacar um conjunto de ideias que vou procurar reunir neste texto que se assume como síntese das várias propostas de análise.
O mundo em que vivemos está em transformação, colocando novos desafios. Este mundo em mudança, coloca novos desafios à escola, a qual tem que se reinventar para conseguir adaptar-se à nova realidade. Estamos perante a necessidade de construir um novo paradigma educacional.

Este é o grande desafio que se coloca à escola de hoje.
Daí o debate intenso que se tem gerado e como consequência do qual se tem apresentado novas propostas, orientadas para o papel que a educação deve ter para que, através dela se possa construir um mundo mais justo, mais equilibrado, mais respeitador das diferenças e sobretudo onde valores como a paz e a justiça social continuem a ser uma “utopia necessária” numa educação que, em muitos locais do mundo, continua a ser como “um tesouro a descobrir”.
Estas ideias estão de forma muito interessante plasmadas no relatório da UNESCO, que fomos desafiados a ler. É neste mesmo documento que podemos ler uma frase que destaquei numa das reflexões que fiz, por considerar que ela resume a relação que deve existir entre a educação e o mundo tecnológico em que vivemos: “à educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permite navegar através dele”.
Neste contexto, o documento atrás referido, apresenta as aprendizagens fundamentais em torno das quais a educação se deve organizar, nomeadamente, a aprender a conhecer, a aprender a fazer, aprender a viver juntos, a aprender a ser. A grande questão, que é ao mesmo tempo o grande desafio, é o de saber como podem os sistemas educativos preparar pessoas "para a inovação inerente ao progresso tecnológico, com capacidade de evolução e de adaptação a um ambiente em constante mudança, assim como reagir proactivamente para antecipar e manter iniciativa sobre essas transformações?

As várias intervenções dos colegas permitiram salientar um conjunto de ideias em torno da temática em análise:
"Desenvolver competências no âmbito das novas tecnologias" (Conceição);
"Organizar o currículo de forma a favorecer a formação de cidadãos críticos, capazes de pensar e agir de forma ética." (Ana Lima);
"Os atuais sistemas educativos, pela imposição de modelo único não têm em conta a diversidade individual, nem o contexto e não contemplam o desenvolvimento de competências essenciais para o século XXI. São necessários sistemas educativos mais flexíveis, que reveem capacidade de mudança e contemplar áreas mais abrangentes como a formação integral e global do aluno." (Conceição),
"A escola deve ser um espaço de experimentações, aberta à inovação e a educação como sinónimo de movimento que fomenta experiencias centradas na acção, vivencias e encontros (Conceição).

"O sistema educativo deve estar preparado para alterar o papel dos alunos e dos professores, desenvolver completa formas colaborativas, alargar os relacionamentos, criar redes de comunicação, ser transversal e plural." (Cláudia).
"O professor deve assumir novos papéis, passando a ser um tutor, um mentor, alguém com a liberdade e criatividade necessárias para se adaptar aos novos desafios emergentes." (Cláudia).

"Incentivar o uso de tecnologias para melhorar a formação dos alunos vinculando o currículo com propostas inovadoras que envolvam o uso de tecnologias com a parte integrante do processo educativa e com a ferramenta fundamental na aprendizagem dos alunos." (Clara Mendes).