O
artigo inicia-se como uma citação muito oportuna e relacionada com a temática
em análise: “Conhecemos não para sermos donos. Mas para sermos mais
companheiros das criaturas vivas e não vivas com quem partilhamos esse
universo. Para escutarmos histórias que nos são, em todo o momento, contadas
por essas criaturas.” (Mia Couto,2005)
Tendo
em conta a comunicação entre todas as criaturas que partilham o universo, esta
citação remete para o objetivo principal do artigo, que é o de apresentar uma
panorâmica sobre o desenvolvimento científico e tecnológico de comunicação e
das múltiplas linguagens que de uma forma articulada coexistem graças às
tecnologias digitais. O autor começa por destacar os inúmeros e enormes
desafios colocados pelo mundo contemporâneo, graças às profundas transformações
no modo como produzimos conhecimento. A velocidade a que tudo se desloca,
provocou modificações profundas na forma de pensar e de sentir.Estamos perante a sociedade de informação ou do conhecimento. Neste contexto, o autor destaca o impacto causado pelo estabelecimento das redes de comunicação, as quais vieram dar um impulso enorme à produção colaborativa. Exemplifica, identificando programas internacionais que contam com a participação de investigadores a nível internacional, como é o caso do projecto Gonoma, o Projecto SETI@Home que liga perto de 4,5 milhões de pessoas em todo o mundo ou ainda, o aparecimento do programa LINUX, que deu origem ao movimento mundial do software livre, que foi ganhando um número cada vez maior de adeptos, provocando mudanças acentuadas ao nível da computação, da economia, da cultura e entre outros.
Para
este autor, seguindo a linha do pensamento de outros investigadores por ele
citados como por exemplo, Poster (2001), a internet e as restantes tecnologias
digitais devem ser compensadas “para além de meras ferramentas auxiliares dos
processos de produção de conhecimento e de educação” (Pretto,1996). A internet
deve, nesta ordem de ideias, ser pensada como espaço social.
Esclarece
o autor em causa que, do seu ponto de vista, todas as tecnologias digitais
devem ser olhadas como “elementos que contribuem para uma radical transformação
tanto da sociedade como da educação, sendo esse um dos grandes desafios de
pesquisa no mundo contemporâneo” (Pretto, 2011, p.102) Neste âmbito o autor dá uma relevância particular às transformações ao nível da educação, termo que o autor admite preferir. Explica que este facto está relacionado com as diferentes linguagens ligadas às várias tecnologias disponíveis.
Apropriando-se
destas de forma intensa, os jovens usam-nas construindo novas formas de
expressão e de linguagens. O próprio ato de escrever alterou-se: o uso do dedo
polegar para digitalizar mensagens; símbolos, ícones e imagens, fazem parte das
novas linguagens, não como meras ilustrações dos textos escritos. Uma outra
linguagem visual foi ocupando um lugar importante. Esta
juventude, na perspetiva do autor, escreve mais, produz mais e manifesta-se
mais publicamente.
Conclui, neste contexto, que os jovens que usam a grande diversidade dos meios tecnológicos vão para além do mero consumo, já que eles estão “produzindo intensamente culturas e conhecimentos” (Pretto, 2011, p. 107).
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Conclui, neste contexto, que os jovens que usam a grande diversidade dos meios tecnológicos vão para além do mero consumo, já que eles estão “produzindo intensamente culturas e conhecimentos” (Pretto, 2011, p. 107).
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Luca
Pretto, N.(2011). Educar na Era Digital. Revista Portuguesa de Educação, pp.95-118.
Braga, Universidade do Minho
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